O dia trabalhou em mim
como quem arrumou a casa,
tirou excessos, abriu janelas,
deixou o essencial à vista.
Agora a noite chega, sem pressa,
acende um abajur dentro do peito
e me devolve ao que sou
quando ninguém exige.
Produzi, criei, sim.
Mas é aqui, no escuro manso,
que descanso as mãos e deixo o coração
terminar o que o dia começou.