A paixão é uma loucura
Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 23 de Fevereiro de 2026 ás 06h 24min
Quem vai dizer ao coração,
que a paixão,
não é loucura,
quando ele bate assim,
descompassado,
como um tambor selvagem
sob a pele fina da noite?
Quem sussurrará
às veias em festa,
que o fogo que as consome
não é incêndio,
mas apenas a luz
de um sol recém-nascido,
ainda sem nome?
O coração,
teimoso morador do peito,
ignora a razão
como um pássaro migratório
que ignora os mapas,
guiado apenas por um instinto antigo,
um chamado invisível
que o arrasta para longe do seguro.
Ele vê o outro
e o mundo se curva,
as cores se intensificam,
o ar fica mais denso,
e cada toque é um trovão
em câmara lenta.
Isto é o que os sábios chamam
de desatino,
o desvio da rota.
Mas quem pode medir
a lógica de um desejo que floresce
no solo árido da rotina?
A paixão não pede licença,
não preenche formulários,
ela irrompe como a primavera
após um inverno longo e cinzento.
E se a loucura
for apenas o nome que damos
às coisas grandes demais para caberem
nas caixas pequenas da sensatez?
Se a sanidade for apenas
a ausência de beleza extrema?
Talvez seja o coração
o único juiz verdadeiro,
o tribunal onde as regras se dissolvem
no calor da entrega.
Ele não busca o conselho dos livros,
nem a aprovação do tempo.
Ele apenas pulsa,
insiste na sua dança frenética,
e na sua insistência,
na sua total ausência de freios,
jaz talvez
a única verdade
que vale a pena viver.
Quem vai dizer ao coração
que ele está errado,
quando ele sente
que finalmente encontrou
o seu próprio e insubstituível
caminho de volta para casa?
Ninguém.
E ele sabe disso.