A navegante do mar cosmico
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 25 de Setembro de 2026 ás 13h 57min
A Navegante do Mar Cósmico
Rosy Neves
Ela navega pelo mar cósmico,
dentro de uma pequena concha,
frágil como um segredo
esquecido entre as estrelas.
A concha atravessa o veludo do mundo
num piscar de olhos,
rasgando constelações adormecidas,
passando por rios de luz
que ninguém jamais ousou nomear.
E ela vai...
Sem bússola.
Sem mapas.
Somente o silêncio
como companheiro de viagem.
Silêncio...
A navegante está prestes a chegar.
Ao longe,
na margem escura do universo,
um anjo a espera.
Seus olhos são mudos,
duas estrelas apagadas
no coração sombrio da noite.
Ele não chama.
Não pergunta.
Apenas permanece ali,
com as asas recolhidas,
como quem conhece
a história que ela traz consigo.
A concha toca lentamente
as águas do infinito.
E, por um instante,
todo o cosmos se cala.
Nem as estrelas respiram.
Nem os planetas se movem.
Nem o tempo ousa passar.
Ela ergue os olhos...
E encontra os olhos dele.
Então compreende:
algumas chegadas
não precisam de palavras.
Silêncio...
A navegante finalmente chegou.