A mulher que recolhia estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 28 de Agosto de 2026 ás 20h 44min
A Mulher que Recolhia Estrelas
Rosy Neves
Todas as tardes,
ela caminhava silenciosamente
pelas vielas do mundo,
recolhendo estrelas cadentes
que tombavam cansadas
sobre os telhados da noite.
Ninguém sabia o seu nome.
Ela passava entre os homens
como uma sombra de outro tempo,
como uma lembrança que o mundo
havia esquecido de sonhar.
Não era desse mundo.
Não respondia a nenhum rei desta terra,
não se curvava diante de coroas,
nem reconhecia os tronos
erguidos sobre a poeira dos séculos.
Havia nela
um silêncio antigo,
uma espécie de saudade
que não cabia dentro do peito.
E os seus passos…
Ah, os seus passos
pareciam conhecer caminhos
que nenhuma estrada humana conhecia.
Mas os teus olhos…
Ah, os teus olhos!
Eram sempre voltados para os céus,
como se procurassem alguém
entre as constelações.
Talvez um nome.
Talvez uma casa.
Talvez o lugar de onde um dia
ela havia caído.
À noite, quando o mundo dormia,
ela abria as mãos
e devolvia ao infinito
as estrelas que havia recolhido.
Uma por uma.
Como quem devolve lágrimas
ao rosto de Deus.
E antes de desaparecer
na última viela da madrugada,
ela ainda olhava para cima…
E por um breve instante,
o céu inteiro parecia reconhecê-la.
Então compreendi:
ela não caminhava pelas vielas do mundo.
Ela apenas atravessava a Terra,
à procura do caminho de volta
para casa.