A Metamorfose do Afeto.

Poemas | Poesia Filosófica | Keila Rackel Tavares
Publicado em 16 de Julho de 2026 ás 10h 42min

No meio do caos da minha própria existência, surgiste tu: uma brisa leve e serena, que tocava a face e envolta em véus de mistério, dava alento à alma em seu próprio império.

Por um breve instante, cedi à doce ilusão, acreditando na eternidade dessa pacata estação...

Mas, a essência do tempo é a sua inconstância veio envolta em nuvens densas e encobriram nossa frágil aliança dissipando os castelos de sonhos criados.

A ordem cedeu lugar ao imprevisível, 

e tu, outrora uma doce e delicada brisa, tornaste-te o próprio ciclone, devastando o mundo que eu julgava invencível.

Veio o vendaval, a fúria e o desmoronar de tudo que eu acreditava. Transformando o acolhimento em lugar de desabrigo.

Hoje, contemplo o campo de batalha interno.

Recolhendo os fragmentos do que foi desfeito.

Sou agora um mosaico de rachaduras, que suporta, em silêncio e também em reflexão, o peso efêmero e trágico de uma tórrida paixão.

Keckel.

Comentários

Uauuuu! Que pérola! Nossa poetisa foi da filosofia estoica à tragédia clássica! É um belo retrato da vulnerabilidade humana. O poema nos lembra de que o amor carrega em si duplo potencial de nos abrigar e nos deixar desabrigados e que a reconstrução de si mesmo, após o desenlace de uma avassaladora paixão é um processo doloroso, mas profundamente filosófico e gerador do autoconhecimento!

Lorde Égamo | 17/07/2026 ás 15:48
Responder

Obrigada por tão belo comentário, você captou bem a mensagem contida nas entrelinhas do poema, coisa de um verdadeiro Lorde poético.

Keila Rackel Tavares | 18/07/2026 ás 06:54

Belíssimo texto! Parabéns querida amiga Poeta!

Rosemeire Santos Silva | 25/07/2026 ás 09:47
Responder

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.