A menininha e a rota de luz
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 30 de Agosto de 2026 ás 07h 37min
A Menininha e a Rota de Luz
Rosy Neves
À beira do mar antigo,
onde as ondas beijavam as muralhas,
havia uma menininha
com os pés descalços sobre a areia fria.
Vestia um pequeno manto de linho,
e nos cabelos, o vento do reino,
como se as próprias estrelas
lhe houvessem coroado a fronte.
Ela olhava o mar medieval
sem medo das naus distantes,
dos dragões desenhados nos mapas,
nem das tempestades que dormiam além do horizonte.
Com um galho de oliveira,
traçava sobre a areia uma rota de luz.
Não era caminho para reis,
nem para cavaleiros de espada erguida.
Era uma estrada secreta
que atravessava o azul profundo,
passava por ilhas esquecidas
e ia morrer nas portas do céu.
— Por onde vais, pequena peregrina? —
perguntou-lhe o velho sino da torre.
Ela não respondeu.
Apenas apontou para uma estrela
que acabara de nascer sobre o mar.
E continuou desenhando.
Diziam os pescadores
que naquela noite o oceano se abriu,
e uma senda luminosa surgiu entre as águas,
como se Deus tivesse escrito
um caminho para aquela criança.
Desde então,
quando a lua repousa sobre as torres antigas
e o mar se veste de prata,
ainda se pode vê-la:
pequena diante da imensidão,
silenciosa diante da eternidade,
traçando com suas mãos inocentes
uma rota de luz
para quem ainda não encontrou
o caminho de volta para casa.