A menina que colhia conchinhas de estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Setembro de 2026 ás 13h 23min
A Menina que Colhia Conchinhas de Estrelas
Rosy Neves
Ela é uma menina
que colhe conchinhas de estrelas
em um mar que não é deste mundo...
Caminha descalça
sobre a espuma azul do infinito,
enquanto a noite derrama
seus cabelos de luar
sobre os ombros dela.
Das conchinhas escapam
fios de músicas —
uma celesta eterna,
tocada pelas mãos invisíveis
dos anjos adormecidos.
Cada nota sobe devagar,
como uma estrela que aprende a voar,
e se perde na imensidão
de um céu sem fronteiras.
Ela escuta em silêncio.
Porque sabe que aquelas músicas
não pertencem aos homens,
nem ao tempo,
nem às cidades deste mundo.
São canções antigas,
nascidas antes do primeiro amanhecer,
quando o universo ainda era
apenas um sonho
no coração de Deus.
E a menina continua colhendo...
Uma conchinha para cada saudade,
uma estrela para cada lágrima,
uma canção para cada coisa
que seu coração jamais conseguiu dizer.
Até que o mar cósmico
se inclina diante dos seus pés
e sussurra:
— Menina, não recolhas todas as estrelas...
algumas foram feitas
para iluminar o caminho
de quem ainda está perdido.
E ela sorri.
Então devolve uma conchinha ao mar...
E, de dentro dela,
escapa a música mais bonita
que o infinito já ouviu.