A melancolia

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 27 de Maio de 2026 ás 07h 05min

A Melancolia

 

A melancolia é uma menina triste,

descalça, sentada à beira do mundo.

Seus olhos, profundos e carregados de oceanos imensos,

conduzem, devagar, pequenos barcos

repletos de estrelas perdidas e errantes…

 

Ela permanece imóvel e calada,

fitando o vazio e a vastidão sem nome que se abre diante de si;

mas naqueles olhos serenos e sombrios,

habita e pesa sobre a alma

o sentimento antigo de uma saudade que nunca há de acabar.

 

O seu choro não é som comum:

é uma melodia suave e proibida,

dessas que o próprio universo escuta em silêncio e respeito,

justamente quando a noite se inclina, solene,

para cobrir e velar a vida dos homens.

 

Silêncio…

Ela chora estrelas que rolam pelo céu escuro.

E cada lágrima de luz que despenca e cai,

tem o poder de acender e curar, ao mesmo tempo,

constelações antigamente feridas e apagadas,

na imensa e escura sombra da existência.

 

É desse modo misterioso e sagrado

que a melancolia

se transforma, enfim, em pura poesia:

em letras trêmulas, úmidas e borradas,

náufragas e perdidas sobre a brancura do papel,

como se a própria alma, ferida e aberta,

sangrasse luz e beleza,

devagarinho, gota a gota,

atravessando a eternidade.

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