A primeira palavra
nasce como um pequeno remo.
Desliza no silêncio do papel
e desperta margens que ninguém via.
Depois, outra palavra se aproxima,
carregando sementes de memória.
As letras constroem uma ponte invisível,
enquanto o vento muda de direção.
Cada sílaba atravessa o rio
sem medo das correntezas.
Algumas afundam...
outras flutuam...
todas ensinam.
Há quem procure respostas,
mas encontra apenas metáforas.
E as metáforas acendem estrelas
no escuro das páginas esquecidas.
A travessia continua lenta,
bordada por vozes antigas.
O horizonte aprende a ler
o desenho das nuvens.
Então as palavras chegam
do outro lado da alma,
transformadas em asas,
costuradas com delicadeza,
levando no peito a coragem
de quem nunca desistiu de escrever,
e descobriu que toda travessia começa
quando uma única palavra decide partir.