A lua azul
| Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 31 de Maio de 2026 ás 10h 25min
A Lua Azul
A lua azul nascerá em breve...
Muito breve...
E o céu imenso, vestido de profundo silêncio,
abrirá as suas janelas feitas de névoa fina
para receber, com toda a reverência, o milagre da noite.
As estrelas, essas antigas e sábias viajantes,
acenderão lanternas brilhantes de cristal
ao longo dos caminhos secretos do infinito,
enquanto os ventos, suaves e compassivos,
recolhem e levam para longe
as últimas dores e cansaços do mundo.
A lua azul nascerá em breve...
Muito breve...
E os jardins que já dormem,
erguerão suas cabeças e flores para o alto,
num gesto simples e perfeito,
como quem eleva uma oração muda
àquela beleza rara que nunca morre nem desaparece.
Talvez os rios, ao passar, cantem ainda mais baixo,
para não quebrar a magia do momento.
Talvez as árvores sonhem sonhos ainda mais profundos.
E talvez todos os corações cansados e sofridos
encontrem, enfim, o doce repouso
entre os braços abertos da eternidade.
Quando ela surgir, majestosa, no horizonte,
vestida com o seu manto de mistério e encanto,
até a própria melancolia se transformará em poesia.
E cada lágrima guardada, escondida e sentida,
brilhará diante de nós,
tão bela e rara como uma pérola celeste.
A lua azul nascerá em breve...
Muito breve...
E haverá, por um instante único e sagrado,
mais luz, mais calor e mais verdade dentro da nossa alma
do que em todo o vasto e estrelado firmamento.