A inexistência no retrato
Poemas | 2026/1 Antologia Quando a palavra sente | Romeu DonattiPublicado em 18 de Janeiro de 2026 ás 20h 33min
Sou a ovelha negra,
A flor lilás,
A tempestade roxa,
A areia branca,
A manga rosa,
O vinho tinto,
O céu azul,
A maçã verde,
O sol amarelo,
A lua prateada,
A estrela dourada,
O fogo alaranjado,
A chuva clara e fina,
O campo verdejante,
A água cristalina,
O amor desconexo,
O grito perplexo,
Do cinza no espelho.
Sou o coração vermelho.
Uma paleta multicolorida.
Mas, em silêncio, me vejo fragmentada,
Não sou apenas cor, forma ou essência.
Não sou nada!
Sou o vazio entre os tons. Sou a ausência.
Sombra perdida na paisagem do que não fui.
Luz esquecida.
Sou a inexistência no retrato.
O eco das palavras não ditas.
E, na quietude de minha alma,
não encontro mais o reflexo de quem poderia ser.
Sou ponto final, afinal, quem ousaria me compreender?
No fim do arco-íris, que nunca toca a terra, é meu viver.