A ilusão
Poemas | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 12 de Janeiro de 2026 ás 14h 57min
A ilusão, se resolve no teatro da consciência.
Cortinas pesadas, veludo carmesim,
levantando lentamente,
revelando não um palco de contos de fadas,
mas o espelho da alma.
As luzes bruxuleiam,
focos na verdade escondida
sob camadas de maquiagem,
sorrisos forçados,
lágrimas ensaiadas.
Cada personagem,
uma faceta do eu fragmentado,
o herói, o vilão,
o tolo, o sábio,
todos debatendo em uníssono.
A plateia vazia,
expectativa silenciosa,
refletindo o vazio interior,
o anseio por clareza,
por um roteiro autêntico.
A peça avança,
diálogos dolorosos,
confrontos inevitáveis,
verdades sendo desenterradas,
raízes expostas.
O cenário muda,
de paisagens oníricas
para a aridez da realidade,
a ilusão se desfaz,
em pedaços de espelho estilhaçado.
A consciência assume o controle,
o diretor, o dramaturgo,
reescrevendo o final,
moldando o destino,
com a tinta da verdade.
O véu se rasga,
a luz da razão irrompe,
banindo as sombras da dúvida,
revelando a beleza crua,
da existência autêntica.
O aplauso ecoa,
não de uma multidão anônima,
mas do coração reconciliado,
celebrando a liberdade,
encontrada no teatro da consciência.