A folha que o outono esqueceu no chão

Outono | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 20 de Março de 2026 ás 12h 49min

A folha que o outono esqueceu no chão

Era uma folha só, perdida,

entre o ouro gasto das tardes frias,

um resto de outono que o vento esqueceu,

um suspiro de árvore que não partiu.

 

Dormia sobre a terra úmida,

como quem sonha com o galho antigo,

com o sol que a vestia de verde,

com o orvalho que lhe dava brilho.

 

O tempo passava em passos lentos,

e a folha, imóvel, ouvia o mundo:

os passos apressados dos homens,

as vozes que não notavam sua solidão.

 

O inverno chegou com seu manto branco,

e ela, frágil, resistiu ao frio,

abraçada ao chão,

como quem aceita o destino sem protesto.

 

Veio a chuva, e com ela o esquecimento,

mas a folha não se dissolveu —

transformou-se em memória,

em raiz, em semente, em lembrança.

O sol de primavera a encontrou dormindo,

e nela brotou um verde novo,

 

um fio de vida que subiu à luz,

como se o outono tivesse deixado um segredo.

Agora, onde antes havia queda,

há renascimento.

 

A folha que o outono esqueceu no chão

virou promessa de eternidade.

E o vento, ao passar,

sussurra seu nome entre as flores,

lembrando que até o que cai

pode florescer outra vez.

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