A flor e o guarda costa
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 14 de Outubro de 2026 ás 20h 07min
A Flor e o Guarda-Costas
Rosy Neves
No jardim secreto das horas,
onde a névoa repousa no chão,
nasceu uma flor cor de aurora,
com pétalas feitas de paixão.
Era tão frágil, tão bela,
que até o vento, ao passar,
diminuía o sopro diante dela,
com medo de a despetalar.
E à sua sombra, noite e dia,
havia um guardião silencioso;
um homem de olhar severo,
de coração nobre e misterioso.
Era o seu guarda-costas,
sentinela de um sonho encantado,
que enfrentava as tempestades
para mantê-la a salvo do passado.
— Ó, minha flor, não temas a noite,
nem os lobos que rondam o jardim;
enquanto eu respirar neste mundo,
nenhum mal chegará perto de ti.
Mas a flor, que entendia de estrelas,
perguntou-lhe, numa tarde de dor:
perguntou-lhe, numa tarde de dor:
— Quem protege os teus próprios sonhos?
Quem guarda o teu coração, meu senhor?
O guardião baixou os olhos,
e o silêncio respondeu por ele.
Havia espinhos dentro de sua alma,
havia um inverno escondido na pele.
A flor, então, inclinou suas pétalas
e lhe ofereceu seu perfume mais puro.
Pois descobrira que até os mais fortes
choram sozinhos por detrás de um muro.
E naquela noite de lua adormecida,
sob um céu de prata e solidão,
a flor protegeu o seu guardião
com a ternura silenciosa do coração.
Desde então, contam os ventos
que, naquele jardim sem idade,
um guarda-costas protege uma flor,
e uma flor lhe devolve a humanidade.
Porque o amor, quando é verdadeiro,
não exige promessas nem louvor:
quem protege uma flor de espinhos
também precisa ser protegido do mundo e da dor.