A festa das borboletas sombrolentas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 05 de Outubro de 2026 ás 12h 53min
A Festa das Borboletas Sombrolentas
Rosy Neves
Na noite em que a lua se esqueceu do céu,
houve uma festa no jardim da neblina;
as flores vestiram seus vestidos de véu,
e a noite acendeu uma estrela pequenina.
Chegaram, silenciosas, pelas folhas molhadas,
as borboletas sombrolentas do tempo,
com suas asas de memórias apagadas
e um perfume antigo perdido no vento.
Não traziam música, nem risos, nem flores,
apenas o murmúrio de antigas despedidas;
carregavam nas asas pequenas dores,
como cartas jamais lidas.
Uma delas pousou sobre um lírio adormecido
e perguntou à noite, quase em segredo:
— Quem guarda o coração de um amor perdido,
quando o silêncio já não conhece o medo?
Então o céu derramou uma chuva de estrelas,
e o jardim inteiro começou a sonhar.
As borboletas abriram suas asas tão belas
e partiram, uma a uma, para além do mar.
Dizem que ainda existe, depois da meia-noite,
um jardim escondido entre as sombras do mundo,
onde cada borboleta que voa sem rumo
leva uma lágrima para o infinito profundo.
E quando a madrugada se inclina sobre a terra,
escuta-se um bater de asas na escuridão...
É a festa que recomeça,
entre flores e estrelas,
no jardim secreto
da minha imaginação.