A fênix ferida

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 11 de Setembro de 2026 ás 15h 11min

A Fênix Ferida

Rosy Neves

 

A fênix ferida

há de renascer

entre sombras e cinzas,

quando a noite

já não souber

onde esconder o amanhecer.

 

Suas asas queimadas

guardarão no silêncio

a memória do voo,

e cada cicatriz

será uma estrela

nascendo devagar

no nevoeiro cósmico.

 

Ela caminhará

sobre as próprias cinzas,

sem medo do abismo,

sem pedir ao tempo

que devolva

o que o fogo levou.

 

Pois há mundos

que somente nascem

depois da destruição,

e almas que precisam

arder em silêncio

para descobrir

a própria eternidade.

 

No céu sombrolento,

onde as constelações

parecem adormecidas,

um clarão romperá

a névoa.

 

E então —

 

a fênix abrirá

suas asas novamente.

 

Não será mais

a criatura que morreu.

 

Será o mistério

que sobreviveu ao fogo,

a chama que aprendeu

a florescer nas trevas,

e a última estrela

de um mundo

que ainda não terminou

de nascer.

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