A dor que molda a cura da alma
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Junho de 2026 ás 10h 52min
A Dor que Molda, a Cura da Alma
De Rosy Neves
Há dores que chegam como o inverno,
silenciosas e frias,
vestidas de névoa e despedida,
tocando os jardins secretos do coração.
Elas moldam a alma lentamente,
como o rio paciente molda a pedra,
como o vento antigo desenha caminhos
nas dunas douradas do tempo.
Eu chorei sob céus sem estrelas,
carreguei o peso das horas vazias,
e pensei que a tristeza fosse eterna,
como uma noite sem aurora.
Mas a dor, quando atravessada com coragem,
torna?se mestra de delicadas lições.
Ela ensina o valor dos abraços,
a beleza dos reencontros,
a luz escondida nas pequenas esperanças.
Então descobri um segredo antigo:
O remédio é o amor.
Amor que acende lamparinas na escuridão,
que recolhe as lágrimas sem julgá?las,
que costura as feridas invisíveis
com fios de ternura e misericórdia.
O amor não apaga as cicatrizes;
faz delas jardins.
Não apaga o passado;
transforma?o em sabedoria.
Não elimina a dor;
ensina a alma a florescer apesar dela.
E assim sigo caminhando,
com o coração mais suave que ontem,
sabendo que toda tempestade termina,
e que depois da chuva mais intensa
sempre nasce uma flor.
Pois a dor molda,
mas é o amor que cura a alma.