A Dor da Despedida
Há despedidas que gritam em silêncio,
como um eco preso no peito vazio,
quando um olhar é o último aceno
e a saudade começa antes do adeus.
Despedimo-nos em estações incertas,
em outonos que chegam sem avisar,
às vezes por escolha, outras por destino,
mas sempre com algo a nos faltar.
Há quem parta pela porta da morte,
levando consigo parte do nosso ser.
Ficam lembranças emolduradas de dor
e um nome que custa a não dizer.
Outros vão vivos, mas se tornam ausentes,
como quem apaga o rastro na areia.
Amizades que o tempo desfez no vento,
amores que viraram poeira.
Também há despedidas sem palavras,
com olhos que evitam se encontrar.
Fins que chegam sem explicação,
deixando perguntas no lugar.
Mas toda despedida é um recomeço,
mesmo envolta em pranto e solidão.
É preciso deixar ir o que foi
pra que algo novo toque o coração.