A dança das luzes do norte
Poemas | Crônica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 27 de Maio de 2026 ás 15h 45min
A Dança das Luzes do Norte
A aurora boreal está descendo suavemente,
como se o próprio céu se abrisse em tecidos vivos de luz,
dançando e ondulando na imensidão do firmamento.
É um véu mágico de cores que flui e se transforma sem cessar:
verdes profundos, azuis etéreos,
e um toque suave e raro de rosa pálida,
como se o universo, curvando-se sobre nós,
sussurrasse segredos antigos e sagrados
que só os olhos atentos podem entender.
A noite, antes escura e calada,
transforma-se num grande e divino espetáculo.
Os corações humanos param de bater por um instante,
tomados pela emoção,
e os olhos se deslumbram, brilhando refletidos,
inteiramente cativados pela magia rara
que se revela na solidão da vasta e silenciosa paisagem de inverno.
O vento canta uma melodia fina e gelada entre os galhos das árvores,
e o frio cortante toca e arrepia a pele de quem assiste,
mas não há frio que toque o espírito:
há um calor imenso e aconchegante dentro das almas,
pulsações de pura alegria e admiração
que se entrelaçam perfeitamente com cada movimento e ondulação da luz.
Crianças, velhos, viajantes… todos permanecem imóveis e calados,
erguendo o rosto para o alto.
O céu se movimenta como uma pintura que ganhou vida,
um balé celestial executado por seres invisíveis,
que parece não ter começo nem fim.
Até as estrelas, eternas e distantes,
fazem uma pausa no seu brilhar,
para observar, também elas, o encanto majestoso da aurora.
E quando, por fim, a luz suavemente se apaga
e as cores se dissolvem na escuridão,
fica gravada para sempre a memória desse momento de encantamento.
Fica a certeza e a sensação profunda
de que um pedaço da eternidade,
um fragmento do infinito,
caiu suavemente sobre a Terra,
na beleza silenciosa e na dança etérea das luzes do norte.