A ciranda dos pássarinhos
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Agosto de 2026 ás 10h 14min
A Ciranda dos Pássarinhos
Rosy Neves
Ao primeiro fio dourado da manhã,
quando o céu ainda bocejava estrelas,
os pássaros saíram de seus ninhos
como pequenas cartas
endereçadas ao vento.
E começaram a ciranda...
Giravam sobre as árvores,
costurando no azul do céu
uma roda de cantos,
um bailado de asas,
uma festa sem música escrita.
Um sabiá cantou baixinho,
e o jardim inteiro escutou.
As flores abriram os olhos,
o orvalho tremeu nas folhas,
e até o silêncio
pareceu querer dançar.
Ah, passarinho,
pequeno poeta das alturas,
quem te ensinou a cantar
sem conhecer a tristeza
que mora no coração dos homens?
Tu voas sem mapas,
sem medo das distâncias,
carregando no peito
um punhado de manhãs.
E quando o vento passa,
teu canto se espalha
pelos campos adormecidos,
como uma bênção invisível
sobre a terra.
Na ciranda dos pássaros,
ninguém fica sozinho.
Uma asa chama outra asa,
um canto encontra outro canto,
e o céu se transforma
num grande círculo de liberdade.
Talvez seja esse
o segredo que os pássaros sabem:
a vida é breve,
mas enquanto houver céu,
sempre haverá uma razão
para abrir as asas.
E eles continuam...
Girando, cantando,
subindo lentamente
até desaparecerem
na imensidão azul.
E lá embaixo,
entre flores e silêncio,
fica apenas uma pergunta
sussurrada pelo vento:
— Quem ensinou os pássaros
a transformar o céu
em poesia?