A cidade escondida
Poemas | Canção | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 05 de Abril de 2026 ás 07h 39min
Além das neblinas cinzas
que vestem o céu de silêncio,
onde as estrelas choram sua luz escondida,
há uma cidade…
— eu sei que há.
Não é feita de pedra,
nem de ruas cansadas de passos humanos,
mas de claridade viva,
de cânticos que não ferem,
de paz que respira como aurora.
Eu a sinto…
mesmo sem vê-la.
Como um perfume antigo
que visita a alma em noites de saudade,
como um sino distante
chamando meu nome na eternidade.
Lá, dizem, o tempo não pesa,
as lágrimas não fazem morada,
e o coração, enfim, repousa
no colo de uma luz que não se apaga.
Oh… como eu quero ir para lá.
Deixar para trás estas neblinas,
estes caminhos de sombras e cansaço,
e caminhar descalça sobre a esperança,
entre jardins que florescem eternos.
Se existe um portal no invisível,
se há uma estrada bordada de fé,
que meus sonhos a encontrem primeiro,
e que minha alma…
aprenda o caminho.
Porque dentro de mim
há algo que já pertence àquela cidade —
uma saudade sem nome,
um desejo que não cabe no mundo.
E mesmo aqui, entre névoas,
eu levanto os olhos e sussurro:
Espera por mim…
cidade de luz.