Poesia: Crônica Reflexiva: A Chamada*
Keila Rackel Tavares.
Meus caros colegas escritores e caros colegas leitores,
Sobre as chamadas nas aulas, sinto profundamente a necessidade de lhes informar: houve anos que me causavam aflição. Eram os anos iniciais, aqueles em que muitos levam muito tempo para aprender o abecedário. Eu, no entanto, aprendi num estalo. O motivo era bem claro, o tamanho do meu nome. Ele é tão extenso que me forçou a aprender mais rápido que os outros. Não porque eu quisesse ser melhor, mas como um mecanismo de defesa para evitar a leitura em voz alta do meu nome completo.
Embora o esforço fosse grande, eu ficava de prontidão até chegar à letra K.
Quando ouvia “Keila”, eu não esperava: respondia logo — “Presente!”. Só que isso não fazia diferença, pois mesmo depois de ouvirem a minha confirmação e verem que eu estava ali, meu enorme nome era pronunciado na íntegra. Isso causava risadas na turma inteira. E, devido à minha baixa estatura, era comum ouvir: “Meu Deus, é mais nome do que gente...”
O tempo passou, e eu cheguei ao ensino médio. Lá, a chamada era feita por ordem numérica. Isso me trouxe um grande alívio, pois não ouvia mais piadas nem risadas.
Isso me lembrou até de um filme cujo autor não me lembro, embora me lembre do título: _Laranja Mecânica_...
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Keila Rackel compartilha uma vivência íntima de sua infância, trazendo uma reflexão social relevante. É um texto honesto, confessional, onde, através de suas memórias promove reflexão sobre as marcas emocionais que o período escolar deixa na formação do indivíduo!