A cegueira do Rei

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 18 de Setembro de 2026 ás 08h 36min

 A Cegueira do Rei

 

Se houvesse amor nos olhos do Rei,

nada disso teria acontecido...

Talvez a noite não tivesse descido

tão cedo sobre os jardins da minha alma,

nem as estrelas teriam aprendido

a cair em silêncio.

 

Agora, meu Deus,

os meus olhos estão punidos

por uma cegueira que não é deste mundo.

Vejo, mas não encontro caminho;

procuro, mas tudo se desfaz

numa névoa sem nome.

 

A minha voz se calou...

Porque há dores que não suportam palavras,

há silêncios que gritam mais alto

que qualquer oração.

 

Porque eu chamei pelo Rei

quando ainda havia luz,

e somente o eco voltou

pelas galerias vazias do céu.

 

Porque esperei um gesto,

um olhar,

uma centelha de misericórdia...

mas encontrei apenas

a distância entre duas estrelas

que jamais puderam se tocar.

 

E agora caminho devagar,

com as mãos estendidas para o infinito,

tentando reconhecer

o rosto daquele que um dia

eu pensei que me salvaria.

 

Meu Deus...

se havia amor em seus olhos,

por que minha alma precisou sangrar tanto?

 

E se não havia amor,

por que ainda escuto,

no fundo da noite,

um coração desconhecido

chamando o meu nome?

 

Talvez seja apenas o vento.

 

Talvez seja a minha própria alma,

tentando encontrar,

na escuridão deste mundo,

a luz que perdeu

antes mesmo de saber

que a possuía.

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