A canção do alto mar
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 30 de Maio de 2026 ás 11h 21min
A Canção do Alto Mar
A canção foi entoada bem no alto-mar,
enquanto as ondas bailavam ao redor,
num ritmo suave e perfeito,
como se o próprio céu, imenso e protetor,
cobrisse o horizonte infinito
com um manto brilhante de esperanças.
O silêncio, por um instante, ousa romper-se,
deixando ouvir um eco que mora nos segredos
das águas escuras e profundas,
onde sussurros de sereias misteriosas
se entrelaçam com a brisa que passa,
desenhando melodias raras e secretas,
que apenas os corais, no fundo do mar, conhecem.
A lua, eterna guardiã dos navegantes,
derrama e reflete a sua luz prateada sobre as águas,
brilhando como um farol perdido na imensidão,
guiando almas errantes e solitárias
em busca de um porto, de um lar seguro,
que talvez se esconda para além das sombras.
As estrelas, cúmplices deste momento único,
tremulam e piscam suavemente ao som
de uma canção antiga, que vem de outros tempos,
removendo o véu espesso do tempo que passou,
assim como folhas leves ao vento,
que caem e se perdem num mar de memórias
que são eternas e nunca secam.
Cada acorde flutua levemente sobre a superfície,
trazendo um despertar de sentimentos adormecidos,
acordando lembranças doces e dolorosas
de amores que o tempo levou, mas não apagou,
e de promessas sussurradas ao ouvido
entre os dedos macios e brancos da espuma.
O silêncio, por momentos, ousa chegar…
mas a música continua viva e forte,
um lamento que se transforma em esperança,
que se entrelaça com o bramir potente do mar,
pintando de azul profundo todo o horizonte,
onde os medos, finalmente, se dissipam e somem,
como a névoa fina que se desfaz ao amanhecer.
As velas, inchadas e cheias de sonhos,
são empurradas suavemente pela brisa marinha,
e cada ondulação da água é um convite,
um chamado para dançar flutuando entre as nuvens.
E enquanto isso, o coração,
um tambor cheio de emoções e vida,
bate forte, bate ritmado,
em perfeita sincronia com o ir e vir da maré.
A canção é, acima de tudo, o próprio pulsar da vida,
uma grande sinfonia feita de ondas e vento,
que abraça a solidão que existe em nós
e, ao invés de nos deixar sós, transforma-a em companhia.
Ela nos ensina que, como cada gota de água do oceano,
também nós carregamos a história inteira do mundo.
E no final,
quando as últimas notas se esvaem no ar,
o mar sábio recolhe os ecos que restaram,
o silêncio se faz presente novamente, solene e calmo,
e tudo o que resta, gravado para sempre em nós,
é a memória eterna
de uma canção entoada lá fora, em alto-mar,
num momento onde o espírito finalmente se liberta
e a alma encontra, dentro de si,
a sua própria e verdadeira melodia.