A borboletas oriental

Poemas | | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 16 de Maio de 2026 ás 20h 06min

A Borboleta Oriental

 

de Rosy Neves

 

A borboleta oriental

carrega nos ombros de seda

os segredos sombrolentos da noite.

 

Ninguém sabe de onde ela veio.

Talvez de um jardim escondido

entre ruínas de antigos impérios,

talvez de um templo esquecido

onde os sinos choram ao vento.

 

Suas asas —

duas páginas de sombras bordadas —

tremem sobre o silêncio

como lanternas acesas

dentro de um sonho febril.

 

Ela conhece nomes

que os homens perderam no tempo.

Conhece a linguagem escura

das estrelas feridas,

e o murmúrio dos rios

que atravessam os mundos invisíveis.

 

Quando passa,

as flores se curvam de medo e encanto.

Os lagos escondem o próprio reflexo.

E até a lua,

velha guardiã dos mistérios,

apaga metade do rosto

para não revelar demais.

 

Dizem que a borboleta oriental

já repousou sobre os olhos da morte

e voltou viva,

trazendo nas asas

um pó de eternidade triste.

 

Mas cuidado, viajante.

Se ela pousar em teu coração,

escutarás vozes antigas

crescendo dentro da tua alma

como corredores infinitos

de um palácio abandonado.

 

E nunca mais distinguirás

o sonho da sombra,

nem o amor

do abismo.

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