A borboleta cósmica

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 25 de Setembro de 2026 ás 04h 44min

 A Borboleta Cósmica
Rosy Neves
 
 
 
A borboleta cósmica
está prestes a escapar
da prisão do casulo.
 
Mas o casulo não é feito de seda —
é uma galáxia quebrada,
partida ao meio
pelas mãos silenciosas do tempo.
 
Sobre ela,
estrelas mortas dançam,
como pequenas lembranças
que se recusam a desaparecer.
 
Há luas despedaçadas
presas às suas asas,
e constelações antigas
costuradas em seu silêncio.
 
Ela se move devagar...
 
Como quem aprendeu
que toda liberdade
nasce primeiro
dentro de uma ferida.
 
Uma rachadura se abre no cosmos.
 
E por entre os fragmentos
de mundos esquecidos,
ela finalmente estende as asas.
 
Ah, borboleta...
 
Não tenhas medo
da imensidão.
 
O universo inteiro
pode ter morrido ao teu redor,
mas ainda existe
uma estrela adormecida
esperando o teu voo.
 
E quando romperes
a última parede do casulo,
talvez as estrelas mortas
voltem a dançar —
 
não sobre uma galáxia quebrada,
 
mas ao redor de ti,
 
como se o próprio céu
estivesse aprendendo
a nascer novamente.

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