Havia mais de dois anos que eu não tinha nenhuma notícia daquela bela menina que passava todos os dias. Às vezes, ela vinha com duas tranças até o final de sua cintura de pilão; às vezes, seus cabelos longos voavam rebeldes, e eu a via crescer. Enfim, o tempo passou e a rotina engoliu a doçura daquela expectativa diária. A calçada por onde ela passava pareceu perder um pouco da cor, e eu acabei me acostumando com a sua ausência, guardando na memória apenas o movimento dos seus cabelos e a graça da juventude que eu via florescer da minha janela.

Até que, no final da tarde de ontem, eu estava distraído olhando a rua quando uma silhueta familiar cruzou a esquina.

Era ela?!?

Não era mais a menina de tranças.

Os cabelos continuavam longos, mas agora traziam a imponência de uma mulher que caminha com passos firmes e decididos.

O tempo havia retirado os traços da infância, mas o brilho no olhar — aquele mesmo que eu observava de longe — continuava intacto.

Ao notar minha presença na varanda, ela diminuiu o passo. Aqueles olhos, que antes buscavam o chão ou o horizonte com a timidez da meninice, fixaram-se nos meus.

Ela parou, esboçou um sorriso gentil e me disse:

— Bom dia, Senhor!

Aquilo rasgou meu peito como uma espada direita no coração, pois soube naquele instante que ela nunca poderia ter o meu amor que sempre foi dela.

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