A alma despida,
lança-se ao palco escuro,
onde a vida ensaia seus dramas.
Luzes bruxuleantes,
projetam sombras dançantes,
narrativas inventadas,
verdades mascaradas.
O coração, um espectador crédulo,
absorve cada fala, cada gesto,
cada lágrima falsamente sentida.
A ilusão se tece,
fios de fantasia envolvendo a razão,
e a alma, distraída, se entrega.
A realidade se esvai,
dissolvendo-se em cenários mutáveis,
em paixões passageiras,
em amores de papel.
Aplausos ensurdecedores,
ecoam no vazio interior,
enquanto a máscara,
gruda na face da alma.
Perdida no labirinto de espelhos,
confunde-se com os personagens,
esquece quem realmente é,
afogando-se no rio da fantasia.
E quando as cortinas se fecham,
e a luz se apaga de vez,
resta apenas o eco da ilusão,
e uma alma esquecida de si.